Templates da Lua

20090807

Previsão do Tempo.



Esta noite, mais um passo no deserto, do nada á lugar nenhum. Não quero que minha lentidão atrapalhe o tráfego na cidade. Eu, o homem do espaço, de outro tempo, de algum lugar que eu mesmo faço. Mas nesse dia eu estava com eles, e todos dançavam porque havia uma festa. Lembro que eu me perguntava o que realmente interessava. Se o importante é o que importa, as coisas parecem sem nexo, ainda tão fora de uma lógica. Ora vida simples, me diga aonde você foi viver? Do pouco que eu me lembro ainda existia muito medo, alguns segredos e muitos prisioneiros.
Nunca fui encrenqueiro, porém a previsão do tempo me garantiu que seria um dia de sol. Solamente yo realmente acreditava nisso, porque troquei o guarda chuva por alguns sorrisos que vez ou outra a gente ainda usa.
Me recuso a falar da felicidade. Prefiro discorrer sobre o tráfego na cidade, talvez a previsão do tempo hoje nos traga alguma espécie de novidade. A displicência de tantos finais de semanas jogados fora, tem hora que da um nó garganta, no pescoço, no peito na lógica e na razão. Já não vivo nem morro em vão. Tudo o que eu tenho feito tem sido carregado de tão nobres intenções. Mas ainda é difícil andar sobre a areia movediça, caminhar pelo pântano onde a lama a cada passo me ameaça com uma nova armadilha. Pra mim nenhum lugar jamais será como a minha terra prometida.
Um terço de fé, num quarto escuro para o quinto individuo, com sexto sentido, misturando liberdade presa com seu sétimo destino. O deserto que me traz já se faz tão bipolar quanto a minha sorte, do frio ao calor, a previsão se engana ao desejar a neve nesse deserto, alguma certeza no que é tão delicado enquanto incerto.
A previsão do tempo que riu de novo quando olhou na minha cara, mostra nuvens carregadas de muitas chuvas na região que vai do nada á lugar algum. O homem do espaço que já não teme mais essa chuva na volta para a casa, me disse que é porque nós estamos e sempre estivemos sozinhos. Bêbados da noite, bêbados do dia. Adiamos o nosso discurso, em noites afim, de dias assim, do rio alteramos o curso, brindamos a vida. Em seguida vomitamos seu molde. De nada adianta estar vivo e ser o boneco do fantoche, se isso resolve, atravesse a rua, atropele os carros, tão caros, dizem valerem mais que algumas vidas, mas não a minha, quem diria!Estou vivendo uma vida, mesmo que com queimaduras e arranhões... Apague a luz, acenda o sol. Descanse na cruz, aumente o som.



Vinicius Ribeiro.