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20090814

Os Desmandamentos.


Não comerás grama
Não se banharás na lama
Pelo deserto no qual descalço ainda tu andas
Não me chame pra essa festa
Tudo isso até hoje tão pouco me interessa
Apenas o verde da poesia
As incríveis histórias jamais antes escritas.

Não trabalharás o dia inteiro
Não venderás o teu medo
O sinal de um certo desespero
Cruzando dois caminhos
Sem ainda saber o verdadeiro.
Apenas a cidade deserta
Os bolsos cheios de novidades e venturosas descobertas.

Não morrerás de fome em frente ao prato de comida
Não destruirás o seio de tua família
O mundo de hoje não é casa nem para o mendigo
Preso sem algemas, livre de todos os nossos dilemas
Um beijo na insanidade
Apenas o retrato da mais pura verdade
A filosofia que não se sente mais a vontade.

Não sofrerás mais que o necessário
Não morrerás ainda antes de deixares o berçário
Faça dos livros de história o seu novo diário
Entre soldados e heróis, já sabes pelo que deve lutar
Muitos já o fizeram em seu lugar, então olhe;
Não chore, nem se desespere
Apenas grite antes que algo no teu peito congele.

Não viverás sozinho
Não acredite em verdades escritas em velhos pergaminhos
Assim verás que teu lugar é á frente de mais algumas revoluções
A divisão do fraco e do forte,
Do morto ileso e do vivo cheio de cortes
Pois desses cortes vieram á nova vida
E esse dia que nunca mais termina.



Vinicius Ribeiro.