Templates da Lua

20090816

Algo que aprendi sobre Eu e Ela.

Ela, a vida!

Eu, um soldado, de frente á batalha, colecionando partes de uma mesma ideologia, estragédias pra essa guerra de uma única conquista.




Notas e acordes, alguns dias acordados no pensamento dos pensamentos desmaiados em copos de vinho, entre tantas demonstrações de carinho.

...

Á música, fazemos mais uma festa, dormimos e acordamos mesmo mortos ainda pontualmente nos levantamos. As plantas não conseguiram ver o sol, o peixe que mais uma vez desviou o seu destino da ponta do anzol, o pianista que vendeu seus dedos em troca de mais alguns dias em companhia de todos nós.
Fazer música, chegar á Lua, entre pontos e vírgulas, palavras que se escreve, mas não se acentua. E sim, ele vive por mais alguns dias, o pianista já sem os dedos, acumulando alguns milhares de medos, seus brinquedos, naquela prateleira ao lado dos velhos sonhos e antigos pesadelos.
Caminha ou rasteja dentro do seu próprio ninho, madruga e festeja com baldes de taças de vinho. Sem o seu consentimento, seu queixo caiu novamente, escapou e caiu para sempre. Propôs um brinde á vida que não vivemos, á verdadeira alegria que nunca conhecemos. E assim de algum modo sempre caminhamos juntos, mergulhamos até o fundo. Só me pergunto onde estará você á essa hora, tão longe de mim, mas perto de todas essas idéias. Se soubesses tudo que penso sobre ti, deixarias o sol nascer, perderias todo esse medo de viver.



Com muita música exorcizamos todos esses maus dias, abrimos jornais de poesia, com vigor diziam como a bailarina gorda e paralítica era tão bela quanto divina, de repente tornando se a melhor entre todas as nossas artistas. Um espetáculo em sua imaginação, daqui eu percebo todos os aplausos que tirava dos velhos e dos mancebos, dos vizinhos e dos estrangeiros. O pianista já sem os dedos, não via a vida sem a música, tão logo percebera como era diferente a sua musa e que depois de tudo que já sentira, jamais temeria nenhum filme de terror ou tudo aquilo que já se foi, juntamente com a urina, perdida no vaso de flores mortas, jogadas na horta, perto dos bebês que nascem quando existem mães que ainda não os abortam.
Sobre a mesa, a cadeira, ou debaixo da xícara, o jornal de poesia reafirma as belíssimas historias, das mãos que sozinhas tocavam o belo piano, se perderam do corpo, e sozinhas as duas juntas repetiam incansavelmente sempre o mesmo coro. E quanto a mim nunca mais quero um dia como o de hoje, dias em que não me sinto mais vivo, não fui bom nem mesmo pra ser meu próprio amigo. Vejo que tenho todas as razões para dormir, mas o sono parece ter me esquecido na beira do mar, pegou algumas malas e foi ser feliz em algum outro lugar. Eu só penso que mesmo por vezes sonhando com este mar, é difícil trocar a calmaria de um lago pelas ondas furiosas nas quais essas águas vieram habitar.



O telefone tocou, quando a ultima carta dizia que o pianista ao ler o jornal de poesia passou a sonhar com as mãos que tocavamm sozinhas, aquilo era exatamente o que ele queria. Pra que a vida? O coração não bate sem uma forte idéia e a cabeça apenas gira em torno de círculos, em rotação e translação. Você é a obra de arte que expressa exatamente a grandeza do que eu sinto, a soma exata de muitos e muitos dias, pensativo, deitado a beira de um precipício.
Eles mentem, enganam, fazem de tudo pra parecerem algo melhor, abrem a boca e percebem que de lá já não sai nenhuma voz. Não respiram o mesmo ar, conhecem os números, mas nunca aprenderam a contar, somam apenas as subtrações, multiplicam todas as inoportunas divisões. Eles que mentem pro espelho, que vieram ao mundo pra serem escravos como um grande rebanho de ovelhas. Ou um enxame de abelhas, temem a morte, pois á muito tempo já residem dentro dela. Trocam o conhecimento por algumas notas de dinheiro. A grama verde por uma montanha de esterco.
Á essa hora, algumas prostitutas rezam para algumas freiras que se tocam, mas não se acham. Se eu não estivesse aqui, talvez não estaria em lugar nenhum. Talvez olhasse para o céu, te esperaria dentro de uma mala, jogado na portaria de algum hotel. Algumas mulheres, e muitos homens se banham com lágrimas, porque as confundem com água, por isso não fazem nada, apenas sentam e choram, comem, bebem e não arrotam. No intervalo da novela, as pessoas se olham, mas não se conhecem, assim como se beijam, mas logo se esquecem. O pianista, ainda sem os dedos, começou então a sozinho compor as mais incríveis canções, na sua mente, pensando em todas as outras mãos que de alguma forma o faziam lembrar-se das suas.



Deus, que me acompanhaste neste longo dia, preciso dizer que meu espírito desmaiou no sofá, assim que sentou se pra esperar que logo pela manhã apareça por aqui um novo jornal de poesia. Vê se pode ninguém reparar que o mais valioso quadro do mundo saiu da parede e foi parar no teu sorriso, e como em um instante me contaram que ele foi para o céu e assim inventou se o sol, se ás seis da manhã ilumina a vida assim que sai de seu esconderijo. E quem há de se esconder dele? Quem iria se perder no meio de uma nuvem? Fugindo de cada chuva, continuando a morrer de sede jogado no meio da rua?



Eu sei que teve alguém que já se sentiu como um robô, alguém que desconhece a existência e a consciência da palavra valor. Valoriza o calendário, mas se esquece de conhecer os seus dias. Valoriza somente os dias que se encaixam em todos os calendários. E assim a vida vai morrendo. Milhares de dias vão se perdendo. O homem das cavernas revive em frente às televisões, e todos juntos assistimos a muitos de nós sermos jogados nos lixões. Inacreditavelmente estamos todos dentro disso. O pianista sem os dedos, nos apresenta maravilhosos festivais em sua imaginação, todas as vezes que acredita estar perto de encontrar outras novas mãos. E assim ele amanhece em frente a seu piano, de costas para o mundo, sabe que às sete horas chegará mais um jornal de poesia, seu único motivo pra existir dentro de mais este quase e breve lindo dia.



Vinicius Ribeiro