Templates da Lua

20090712

Desinvenção das Convenções.



Todas as convenções foram pro espaço. Casaram, hoje moram em um castelo e são felizes para sempre. Não precisam mais da vida, se convêm maquiar a realidade, a nossa idade, eu rasgo a identidade e você pensa em uma nova imagem, outra cara e coragem. Modifica essa impressão digital. Eu era o tal que bebia coca cola e ainda sabia como falar do tempo, em férias permanentes, nessa busca incoerente. Eu gosto do que não existe e do que insiste em viver dentro de mim, se alimentando das vísceras de alguns dias, conhecendo algumas e muitas verdades despercebidas.
Realidade estremecida, imperfeita como a arte, Venus e Marte, do alto da escada o amor vence a guerra, aquarela, o céu é a tua tela. Roda e roda durante o almoço de domingo. Quarto escuro, abra um livro, pinga a goteira, escorre toda a parede, nessa enchente, pela primeira vez te mostro minhas idéias, nuas e cruas, minhas e tuas. Ruas, estradas, adeuses, trilhos de trem, aviões que caem e ninguém vê.
Talvez eu seja você, as sobras de tuas qualidades, a vaidade que mente a nossa idade, se casa aos 50 anos, quem aos 15 já morria com derrame, um vexame pra família, tão perdida fingia que não conhecia, aquela dor não era minha. Alguma cor pintaram, mas não foi com tinta.
Eu sabia o que era a vida, dias de vinte e algumas horas, sonhos que com manteiga, comíamos junto com o pão, ou não! Deixava - os no travesseiro, do avesso, guardava - os com Deus, todos esses sonhos meus. Já deu, 04:51 da madrugada, nem ela mais está sã do outro lado. Só quer viver, até poder te conhecer, na música das janelas que se abrem, dos recados nunca antes postados, apresentados, aos senhores aposentados, as vitrolas enferrujadas, ainda tocam músicas pra todo espelho que reflete a madrugada.
Como você diz você faz, entre alguns assassinatos encontra alguma paz. A paz nosso artigo de luxo, nosso prefixo mudo, a bandeira branca com manchas escuras, a herdeira que canta tão santa e madura. A boca não diz mais o que os ouvidos ouvem. Houve um sentimento que viram tornar se lenda. Sobre cafés e cigarros, durmo a seu lado para assistir TV, sonhar mais rápido, continuar acordado. Cigarros e café, a verdade chega sempre atardezinha, nas cidadezinhas que habitam dentro de você, residem aí sem
ninguém perceber.
Entre os rios, lagos, barcos, carros, oceano de gente, pessoas que falam, mas não dizem, escutam, mas não vivem. O tempo não para, não passa, rápido até demais. O que eu sou neste mundo, dentro de outros mundos, surdos, mudos, cegos e burros. Atenda ao telefone, que sou eu, trazendo boas noticias. Sejam fortes, as férias estão chegando. Antes de você morrer compreenderá toda essa vida, a roda gigante, os pássaros e elefantes, prateleiras e estantes, prostitutas e gestantes.
Seja forte o bastante, pra dizer o inicio e todo restante. Se você para de escrever porque a folha acaba, esquece de viver quando toda falsa alegria lhe escapa.



Vinicius Ribeiro.