Templates da Lua

20090410

Retorno de um Místico.



Repensar o caminho é o primeiro passo, quando o primeiro passo se faz a metade do caminho.



Perder a cabeça á pensar com o coração, escolher outra mesa, cortar a cabeça, ser o rei da natureza. Por ele, pensava com a cabeça, dobrava o joelho, doava o coração,pois já estava morto,mas morto e contente, era a semente de uma próxima encarnação.De joelhos atravessou do oceano ao deserto com sua língua sedenta correndo do chão, as paredes e o teto.O seu calor transformou a ferida em combustão, explodiu a sala, sentado em cadeiras, congelando a lareira,violentando suas idéias, do pátio ao portão,descansando na sombra colorida de um portão.
Me esperava no porão, mas o sol morrera ainda antes das três da tarde. Os novos príncipes anunciaram o banquete e ao ponto serviram as virgens em velhas bandejas douradas.Os brancos dentes dos olhos as devoravam pela metade,mesmo sem tempero as engoliam com vontade.
Não morre porque não vive se banha porque a água é a vida. As quatro da tarde toma o chá, e a cafeína é o segredo que ele escondia, enterrado junto ao passado, joga no abismo tudo o que nunca deveria ter existido, todos que um dia covardemente haviam lhe agredido.Em sua cabeça ele os mata para assim já terem o seu fim tão bem mais que merecido.
Mãe! Me explica essa situação,porque ainda há manchas de sangue pelo chão.No período do Circo das emoções,guardei as chaves entre os meus pulmões para no futuro escapar e procurar o amor,recém nascido ainda pálido e desconhecido.Nasce que chora e se esquela,morre porque se cansa e não espera, bebe o leite dos seios da madrugada,encoraja o leão preso no corpo de uma donzela.No circo os palhaços matavam os sentimentos, pintavam seus quadros, entre o céu e a terra destruíram as raízes de suas novas, velhas e estúpidas idéias.
Saiba que a pedra sou eu, que brilha na chuva,morre no deserto pra não dizer a verdade,cala e consente,fala mas não sente,engana toda essa gente.Fez o sexo construir o mundo,destruir o amor, voltar ao sexo pra se recompor.
Aos baldes bebi a água da chuva, que vieram das nuvens de dentro de nós,feito nó na garganta por você que assassinou o tempo , a música, a religião, a política e a poesia, os 12 apóstolos se reúnem, acendem a fogueira e ainda cantam de alegria.Renascem das cinzas, e se cinza na cor, cinzas aonde for.No caminho que o feriu com essas rosas secou o sangue que molhou a terra e fez nascer nos fracos a inveja.Ainda teve uma hora que estes preparavam a sua cova,o empurraram,e o fizeram sentir o peso de estar vivo entre os peixes mortos que nadam dentro das xícaras de leite já aquecidas e esquecidas pelo deserto.De certo não percebiam que não havia mais o tempo,que o relógio só funcionava em segredo, com os padres nos confessionários entre todos os pecados nunca antes confessados.
Condenado estava a anoitecer pela jornada, com suas duvidas construir uma muralha, ainda sobre ela repousar, sentindo de novo a solidão lhe comparar,tão de perto lhe acompanhar e adormecer ao calor da lua no cio, que geme e sussurra pelo sol. Este em um breve instante se aproxima e suavemente a penetra com seus raios.Via lentamente o mesmo sol que se encostava naquela lua e essa explodia de prazer ao anoitecer unindo se ao sol.Como o gozo da vida tornaram se um só, dando a luz a um novo céu, ejaculando uma chuva de prata, exata para banhar todos os apaixonados. Enquanto ele dormia mas ainda sem ninguém a seu lado.
As três da manhã amanhecia para vida, entrava pelo espelho, a cada dia mais ele se conhecia. Buscava algo maior e continuava a engatinhar pelo deserto. Entre mortos continuar vivo era quase uma novela. Todos os dias adormecia ao meio dia, se distanciando da rotina, ele meditava entre todos as pirâmides egípcias,pra falar com Deus, pra enxergar os olhos teus,escorrendo sangue da visão errada, pela mentira escancarada,de toda nobreza desperdiçada.
Três mais quatro pássaros refletiam no lago seco, alguns estranhos atos não acordaram hoje cedo. Cedo demais pra se cansar pelo caminho, tarde demais para voltar pro antigo ninho e seu castelo agora era de areia, sua razão tão solida quanto nas arvores a madeira. Procurava algo superior, uma luz pra poder se recompor, lhe acompanhar aonde for e no inverno lhe garantir um pouco de luz e de calor.Se reconcilia com o universo, pra se aproximar de Deus, continua a caminhar pelo deserto,conhece a vida mais de perto, agradece a ela por estar rumo ao lugar certo.
Cada passo era o primeiro, do caminho inteiro, da experiência mística de encontrar o divino, bem mais que um abrigo, seu verdadeiro ponto de equilíbrio.



Vinicius Ribeiro.