Templates da Lua

20091110

O Sociopata.



Quando abriu a janela pela ultima vez às seis e um da tarde, o jovem viu algo que jamais havia visto em seus livros, historias e quadrinhos espalhados por toda a antiga avenida. Eram olhos, bocas, passos, gestos, sorrisos e abraços, espaços, vagos na minha mente. Tão surreal como um sonho e pesadelo. Algo que tomou conta de vários de seus dias, roubou milhares de seus pensamentos invertidos.
Aquele jovem que passou a amanhecer quase em pânico, meio mutante, seus pensamentos acordavam sempre em cidades diferentes, em mundos ainda inexistentes, sofria por saber que pra ele aqui não havia um lugar, apenas voava mesmo sabendo que logo a frente sempre cairia por nunca haver um lugar seguro, um pouco menos escuro pra que tranqüilo pudesse repousar.
De vôo em vôo, conheceu quase todo o céu, encantou se com uma estrela e entristeceu se por não saber como poderia obtê la, como poderia esquece la? Pensou que junto com ela lutaria cada dia de sua vida, lutaria por um céu mais infinito e aterrissagens já tão mais tranqüilas. No céu, à tarde, conversava com alguns pássaros, sobre os rumos dos ventos, as aves que voavam em bando por que sozinhas elas morreriam sem achar sua própria direção, triste decepção, para ele, que ganhara a vida ao cair do berço e bater a cabeça. Continuava se inclinando contra a parede, derretendo todo o gelo, que fez do mundo um grande iceberg. Os pássaros riam pra se divertir, ele corria pra não se ferir , mais do que toda a água das mesmas garrafas que ele bebia pra matar sua sede do fim da batalha, o inicio de mais algumas minhas e tuas guerras. Os fortes atletas ganhavam medalhas, Jesus Cristo caminhava com velhas sandálias, os canalhas cuspiam na cara dos inocentes por que os guerreiros eram covardes de verdade, como eu quando entrego o jogo, desapareço no meio do povo. Deitado na cama, em cada fim de noite fecho os olhos e morro, quando acabam todas as forças pra lutar.
Ele que já foi um herói está preso novamente, cheio de correntes. Um tubarão louco que atacava com os dentes, trocou suas barbatanas por um imenso nó na garganta, todo mundo reclama, mas jamais apontará o dedo sem se lembrar de seus milhares de segredos sujos e porcos entre todos os nossos dias mudos e mortos. Ele que já esteve entre os mais fortes, hoje só tem vontade de fugir... E apenas fugir pra poder simplesmente viver.
Se amanhã o sol nascer, talvez ele entre dentro de um livro, desapareça quando se apaga o ultimo rabisco de um sentimento que ele não entende, apenas sente, a dor de não poder mudar algo, que mudou o inicio o meio e o fim de toda essa história.
Para os pássaros, sobraram o céu, as nuvens e vários dias de chuva, varias palavras a serem escritas em frente aos nossos muros. Entre o céu e a terra, abriu os olhos e enxergou o mundo de que tem medo quando percebe que este avança andando para trás, quando se vê dentro deste mesmo mundo que cresce transformando bravos seres humanos em domesticados animais.



Vinicius Ribeiro.