Templates da Lua

20091203

Após ás ultimas palavras.


Que Deus me ajude a escrever algo.
Separar o doce do amargo

Não me salvo
porque não me acho.
Descanso em mim
entre vários espaços.



Vagos



A terra aqui em baixo é úmida, mas o corpo não sente mais nenhuma sensação de frio. Por um fio estavam todos os nossos dias, o arrepio que até agora sinto na espinha. E por falar em saudade, não sei mais o que é verdade, desde que o escuro extinguiu a ultima gota de claridade e serenidade. Me perco entre velhos pensamentos ainda abertos, infinitas possibilidades., aqui hoje, se perderam em meio ao incerto. Os insetos aqui em baixo são todos meus amigos, por isso te digo que me sinto melhor assim, acreditem em mim. Enfim eu sou aquele que creio na vida e por isso me senti tão venturoso na hora da minha partida. Eram tempos incríveis, terríveis, visíveis á olho nu. Numa escala de zero ao infinito, a vida se encaixa entre as peças que ainda mantêm o trem em cima dos mesmos antigos trilhos. Em algumas dessas cartas pude perceber o quanto a vida não muda, afunda, mas permanece tudo sempre igual, pro meu mal, o que certamente não lhe faz bem. Prefiro obedecer ao sol quando nasce a um relógio que não me cabe. Sabe, eu tenho que tomar chá pra dormir e sonhar pelo menos um pouco antes de acordar. Vá lá se no meio ainda não tiver um pesadelo. O desassossego quando faz questão que todos os arco Iris sejam em branco e preto ou preto e branco. Santo remédio, um pouco de luz do sol ainda serve pra espantar algum traço de tédio.
Tédio da vida que eu tinha. Aqui a sete palmos da terra, toda a natureza é sincera, o meu corpo apodrece, mas meu peito agradece, se aquece, despede se de tudo. Agora sou um defunto mais vivo que todo mundo.



Vinicius Ribeiro.