Templates da Lua

20100121

Através de portas e situações imaginárias.



Soldado Biodegradável de milícia seca, dura, impermeável. Estava escrito na parede, coberta de histórias, poemas, idéias e pensamentos, o cérebro cozinha melhor em fogo baixo, e ferve silenciosamente em absurdo até mesmo com água seca. Derradeira seita. Cercado de pão, vinho e tomate, pedaço a pedaço. Os pensamentos temperam os momentos em que a solidão impera, te espera com um copo gelado na mão, e queima junto ao meu cérebro, crocante, quando escorre na pia ao molho de tomate e sal de macarrão. Sal é ilusão!
Porque a chegada da noite é sempre certa, os medrosos acendem as luzes, apanham suas cruzes, um bom homem que já se foi. Diferentes idéias, egoísmos, interesses, egoísmos e dezenas de paredes, “Boom”, o Homem criou a guerra, quadro a quadro, pintou de vermelho, tinta fresca, umedecida gota a gota, com águas quando um peito transborda em dor, dia após dia, escaparam e caíram por janelas onde não passa mais a luz, essas cujo não abrimos mais pra não deixar nem um vil pedaço do desesperador escuro entrar.
Onde moro, o calor não tem chegado, pasme quando digo que nessa claridade tenho constantemente me afogado, de bom grado, calaram a voz das nuvens e do céu, plantada em vasos de revoluções por ideais, passeatas, discursos e multidões, passo a passo rumo ao novo mundo, sistema em falência, vidas trancadas em abstinência. Corações enlatados, em promoção no mais próximo supermercado. O trafico de órgãos, o rapto da ordem, e o progresso, de vez em vez, converte seus lentos passos para trás, voltamos a nos comportar como legítimos animais. Quem faz um dia de paz? Traz a solução pra toda a guerra, erra, mas aprende, entende que em toda areia sempre haverá pelo menos uma pedra.
Orquestra da Luz Elétrica, sinfonia dos ventos que despertam, nos apressam, e vocês apenas sorriam. Tudo o que eu tinha era uma velha maquina de escrever e por isso eu escrevia, mas nunca terminava, eu até vivia, mas vocês nunca me encontravam, pois dormia e sonhava, de grão em grão, sumia entre os coquetéis que me ofereciam; Ninguém nos dominava, bebíamos vulcões, vomitando suas lavas, em cima de vocês, pisando em coroas de falsos reis. Eis que poderia ser o libertador dessa vida tua, se tomássemos nosso chá deitados sob a Lua, esta noite, apagou se o dia desenhando estrelas, uma a uma, como rebanhos de ovelhas, oceanos adormecendo caravelas quando algumas descobriram o Brasil. Mandaram tudo pra puta que o pariu, sem parteira, amamentou se nas tetas das enfermeiras, porque o leite estragava na geladeira desde quando as vacas, alegres, partiram em férias rumo ao sertão.
Ser tão profundo, abstrair algo de útil desse mundo, testemunhas do rapto da ilusão, são todos marionetes, ratos de laboratório, apenas defuntos que descansam trancados no porão. Porão fim em toda vida antes mesmo que ela comece, Dirão sim a toda lista diante todos estes falsos mestres. Pode ser que dedicadas mães enfeitem suas filhas com vestidos cobertos de ouro assim como os bois e as vacas em organizadas fileiras são encaminhadas á seus matadouros. Hipocrisia, de geração em geração, de família a família. Se todos somos uma ilha, estou cercado de desafiadores amores por todos os lados, espaço a espaço, do mono ao estéreo, assistindo missas, batizados, bispos , padres, curandeiros e missionários, dicionários cheios de palavras ainda não usadas, letras que por fim serão devidamente abençoadas.

Era uma vez, fui encontrado nu através de corredores e andares imaginários, e peixes que sozinhos morrem dentro de seus próprios aquários. Diários de bordo, cara a cara com a vida. Delírios, todas as festas, amores e tragédias, bordados em renda pelas cortinas do enorme cenário que nunca existira E é por isso que nunca usei o fogo pra me esquentar, na corda bamba conseguira me equilibrar de tanto sonhar, a passear por vales intranqüilos, estações de trens que desconhecem os seus próprios trilhos, olha pro sol, empresta lhe todo inebriante brilho. Ricos do ouro que sempre esteve dentro de nós. Redescobrir enfim toda existência que sempre esteve aqui embaixo de nossa pele. Cancele precipitados julgamentos, tão tolos preconceitos, desafogue se do mar naufragado em ilusões, não reflete a atual situação:
O Estado jamais cuidará de seus filhos, nem dos meus, cristãos e ateus. Avistava no jornal algo sobre Ordem e Progresso, comprem um ingresso, pois o circo está armado, a comedia do drama da vida, o drama da comedia de todos nossos dias.
A senhorinha ouvia o discurso de um homem que desmamou de sua mãe pra mamar nas tetas da boa vida. A revista discorria sobre escândalos de verdadeiros vândalos do capitalismo, exterminaram agora a pouco mais uma família. Poderia ser a minha, ninguém queria aquela sorte, talvez apenas um lote, onde se ergue o barraco e honestamente o chamam de casa própria. Plantar a horta, pois sozinha jamais se forma, não conforta o estomago de quem mistura o suor com a lagrima ardida, perdida na enxurrada desta ultima chuva. Num estado que ainda se encontra sólido fez se liquido pra aumentar o feijão de domingo, pois nunca haverá pelo menos um bife, na gripe quando se cura com trabalho de sol a sol, só eu e as pessoas solitárias , solidárias á promessa que no tempo se perdeu, encolheu aos lavarmos a roupa suja, que se usa ate acabar, ainda assim ser capaz de todos os dias trazer mais um convidado para o nosso jantar.

De todos os crimes que cometemos, alguns se recusaram a falar, cadáveres que insistem em voltar porque ainda vêem o sangue escorrendo de nossas mãos e dedos, ainda com medo, entre os loucos encontramos os verdadeiros sãos. São eles, e apenas eles, que sempre viveram a vida. Porque a vida e tão somente a vida, disfarçava e ria, se afastava e corria, se desfazia na cara de todo o resto. Honesto e correto fui eu que me apaixonei por um cadáver, os mortos apreciam o silêncio entre todos os olhares. Sozinho, vago dentro de catacumbas comuns á espera dela. Enquanto fugia misturado a noite fria, ouvia o jazz que escorria da pia, pinga nessa hora que não há quem se entenda, cortando a lenha na minha imaginação. Que horas são? Pra entender cada segundo em que o coração bate, antes que todo aquele maldito infortúnio me enlace, Se eu errasse, certamente ainda neste minuto serias tu quem me acertaria. Seria eu o tolo a jogar de costas para o tabuleiro?
Eu creio que venci na hora em que descobri o ponto o final, afinal desenhei janelas, costelas, panelas, pão com mortadela. Jardins de visões com belas tonalidades, que a manhã trazia refletida nas paredes, quando juntas afinavam se vocalizando em frente ao vitral como o mais vivente coral.
Era real como os versos de cada poesia, no desespero de cada vez que penso como deverias seres minha; Tu que caminhas sob a grama verde, de paraísos onde nunca antes ela esteve. Não se conteve, destruiu toda falsa parede, matando toda sede, simplesmente com copos por inteiros transbordantes de oceanos, nunca mais houve nenhum terrível engano. Eu te chamo a voltar ao 1979 de cada um de nós., desatar os nós, ver o sol nascer, correr pra viver e ser livre. Descobrir novos lugares onde nunca antes estive. Inclusive aquele que sempre voltaremos á procurar! Posso me lembrar de como constantemente continuo a ter sede, também sei que às vezes pode-se até ficar um pouco abstraído, um pouco sonhador. Há quem fique abstraído demais, sonhador demais; talvez seja o que ocorra comigo, já dizia o amigo Vincent Van Gogh.
Só pode deixar com que tuas lágrimas transcendam por todas velhas cicatrizes, ainda dizes que me deixe ser levado pelos desolados ventos gelados. Novamente juntos, heróis e soldados, feridos e esparramados, lado a lado, acendemos nossa última vela ao amor. Se for o que mais importa na vida. Haverão mais lágrimas pelas orações já atendidas,que por aquelas que em meio ao céu ainda encontram se perdidas.



Vinicius Ribeiro.