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20091219

Pássaros Tristes. Um chá de Melancolia.



Carros que trafegam ainda sem direção
São meus, seus, deles e delas.
Confundem estrelas, pontas de cigarro
Buracos na camada de ozônio
Não sonho, nem me esqueço
Com medo do que quer que seja
Que seja por livre e espontânea obrigação de estar vivo
Que vivo pela autônoma e incomoda obrigação de viver
E os tais pássaros tristes!
Fragmentos de mundos que já não existem
Desiste de dar um rumo á vida
Durmo pra não pensar em tudo que ela me ensina.



Choveu até a uma da tarde. Mas depois não fez sol, não fez nada.
Depois, nem ao menos existiu
Após tudo isso,
Depois tudo ficou perdido, esquecido, anoitecido em algum outro dia.



Então traga a taça de vinho
Faça uma oração
Para aquele Deus que sempre te alivia
Se vira, em vários baldes de tinta.
Verdades em mentiras. Tem mentira que me lembra a verdade!
Sabe, acreditamos que ainda haja vida em você.
Logo se vê.
Respiras como aquele que acabara de nascer.
E mais alguns pássaros tristes!
Ferimentos tão fundos que aqui ainda resistem
Instem em trocar a noite pelo dia. Me aqueço e enlouqueço,
Na penumbra de mais algumas presentes e futuras noites escuras.



Nisso tudo voltou a chover, figurou se as horas costurando idéias no asfalto.
Recheando as avenidas no passeio de volta pra casa;
Tem aqueles que perderam seu rumo. Eu sumo desenhando o anoitecer.
Adormeci em frente ao portão, esperando você amanhecer;
Foi mais ou menos assim que recebi a melancolia, figurando do teto até em baixo.
Das paredes, no fim de tarde, misturando se ao asfalto.



Só caminho deitado
Com a cruz que das costas foi para o meu lado.
Escravos sonham apenas com a liberdade
Meio tarde pra disfarçar a insanidade
Se pronuncie agora ou pra sempre se cale
Beba a vontade!
Não repare nas palavras
Que não saírem de tua boca
Como todos os pássaros tristes.
Esquecimentos congelados em vales intranqüilos
Corrigem ás tais falhas do nosso inconsciente
Implora um pouco de amor, se lembra aos poucos que ainda é gente.



Um minuto de silêncio por uma noite miraculosa e decente
Viagens interplanetárias de repente. Esquece o fim do mundo,
Descrente, Maquia se o rosto do defunto. No fundo, me sinto como aquele que perdeu o último trem na estação, que dorme pra não ouvir as batidas do próprio não coração.

Enquanto cantam os pássaros tristes, milhares de canções que não existem.



Vinicius Ribeiro.