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20090609

Poesia da vida cotidiana.



Esse minuto que suspira
Me inspira quando completa a coleção das horas
Lá fora com certeza a vida continua ainda mais morta
Como os dias que não se suportam
A bagagem que fica parada na estrada
Quando ninguém mais a transporta
E capota quando rola na cama
Se purifica
quando engole do chão toda essa lama
Aperfeiçoa se no estrago
Cospe na cara,
pra dar só mais um trago
E amanhece hoje o cerébro
Ainda um pouco mais vago
Com um milhão e meio de nós na cabeça
que derrete e gruda no meio do asfalto.

Liga o chuveiro
O dia inteiro
E gota, gota, gota
Pinga e não me molha
Porque eu não existo
ela não me olha
assim o tempo passa
Ainda mais depressa que as horas.

Corre a água dentro de todos esses copos
O meio dia é o que move o sangue
Dentro e fora de todos esses corpos
Mortos?
Duvido que não.
Sonâmbulos,
como no fim da noite
do último dia do verão.



Vinicius Ribeiro.