Templates da Lua

20090430

O Êxtase.



De noite o mar é frio e antes do sol nascer as ondas passeiam, se encontram pra fazerem o oceano,no entanto era dentro dele que eu descansava,continuava me embriagando.Só respirava as águas,e naquele momento era tudo que eu tinha,o azul do claro pro escuro,a luz da lua fazia do mar o seu mais forte aliado ,abrigo e na batalha o seu escudo e sua salva garantia.Com valentia , no fundo, no teto ou no céu, os peixes eram as estrelas e as nuvens ainda eram como as ondas formando um coral, afinavam todo o cenário, naquela ocasião o inicio das primeiras notas da nossa melhor, mais bela e inspirada canção.
Porque o mar se abria eu afundava, em meio ao azul, respirava a noite ainda mais convincente se fazendo presente no meio deste mar. Ei de me sentir de todo confiante, dentro dele pra mim haviam separado um misterioso lugar, deslizando pelo azul infinito, esquecendo-me de tudo aquilo que já não sinto. Sinto muito pelo fim de tudo. Sinto tudo pelo fim de muito, do conhecimento que ficou esquecido lá trás, por de trás dos valores que evoluíam este povo. Naquele instante o mundo continuava a nascer de novo, achado no azul do mar, mesmo que perdido eu buscava a direção e algum equilíbrio, através da lua que chega e se insinua nos feixes de luz que passeiam pelas águas e com inteligência sempre descobrem essa metáfora recheada com um tom de nostalgia.
Eu só afundava, devagar o oceano me navegava, não lembrava mais do mundo, e o fundo do mar era só a escuridão macia, alguma outra fonte de luz ,o inicio de toda a venturosa energia.E junto com esta canção, o sol me avisava que já pensava em nascer,queria sentir o meu comparecer ,pra de novo as sete da noite não ter mais que nos esquecer nem tão pouco desistir de nos entender.Porque hoje chove dentro de mim, inunda a vida quando caem pelos olhos através destas mesmas lágrimas.E se o sol me chama eu subo até a superfície do mar,secando me aos poucos ao passo que saio da água o sol se ergue no céu,se desafoga por detrás das montanhas, seca com o vapor alegre do mar que ás seis da manhã todos os dias ainda amigavelmente vem o cumprimentar.
Tranqüilo em solo firme, matei a minha cede com as areias que formam redemoinhos, tão logo já percebia que no céu surgiam as primeiras nuvens desse nosso dia,que como setas me indicavam o caminho, até a entrada da montanha, tacanha porque as fases da vida nunca deixam de acontecer, mesmo que cansado, de fato o poeta um dia se canse de escrever.
O que meus olhos puderam ver eram duas fileiras de pessoas, umas boas e atoas,outras amargas e escassas.Enquanto uns aplaudiam outras me reprimiam,ainda cuspiam,mas a verdade é que pra mim tão pouco elas existiam, porque ainda naquele minuto ouviria soar o apito do trem que vem e não para, apita porque não fala.Tão melhor fosse ter permanecido no trilho,morrer com um pouco mais de brilho,mas como vêem preferir correr,sobreviver porque estava nu em pêlo, acordado mas dormindo dentro de um grande pesadelo.
Foi quando em minha frente descobri uma sala que dentro dela continham todas as cores do mundo, pinturas de tamanha beleza que nos remetiam ao absurdo. E nesse dilúvio decidi as cores que exterminariam a nudez da minha alma, a vergonha cinza que até aqui nos dominava. Pois se existia o azul, uma hora o céu deixaria de ser tão cinza, assim como o amarelo secaria as lágrimas de quem ansioso esperava pelo novo dia.
Antes de sair da montanha pude aos poucos me misturar aos desenhos na parede,que profetizavam quando contavam seus milhares de segredos.Eram tantas histórias sobre o amor,por todo o corredor daquela caverna, era o sentimento que tomava o rumo da nova direção,me guiava até a verdadeira luz que ainda mais forte me colocaria pra fora de toda aquela situação,e por fim me faria completar essa mistica missão.Mais sábio,mais raro, mais vivo e nunca mais perdido. Com os sonhos todos em meus braços,voltei a engatinhar como quem sabe que em breve estará a correr. Bem mais que o vento, de todo esse tempo, com o nosso sopro moveremos o mundo,revolucionaremos tudo e tudo será exatamente como o amor.Como você me ensinou...



Não demorou muito
para a noite converter se em dia.
Substituindo o escuro da parede
pelo mais nobre tom
que reflete todas as cores enquanto brilha.

Por entre brancas cortinas
Entoava a doce canção que nunca desafina.
E a porta me revelava através do horizonte
a melhor visão por todos nós já obtida.

Era como uma nova vida
por isso logo estava eu a andar pelos campos.
A grama verde poetizava
tão eloquente quanto a paisagem me fascinava,
como uma pintura,
a vida desenhou se por si própria
ao formar neste quadro a sua própria moldura.

Pelo chão,pedaços de madeiras jogados
ao meu lado, tornavam se flores.
Todo cenário se enchia,
Os pássaros antes presos
Já voam livres e tornavam se cantores.

Por fim
no meu peito a paz só confirmava
E com meu sorriso
toda a existência demonstrava
Que valeu a pena acreditar
Em todos os meus valores
que no coração sempre guardei
junto a todos os meus grandes amores.



Vinicius Ribeiro.